quarta-feira, 19 de fevereiro de 2025

Caminhada de Agra à Rota da Encosta dos Castanheiros, Serra da Cabreira, Boas Solas, 15 Fev 2025


Serra!

E qualquer coisa dentro de mim se acalma...
Qualquer coisa profunda e colorida,
Traída,
Feita de terra
E alma

Uma paz de falcão na sua altura
A medir fronteiras
- Sob a garra dos pés a fraga dura,
E o bico a picar estrelas verdadeiras...

Miguel Torga
Diário II (20 de Agosto de 1942)


“Serra! E qualquer coisa dentro de mim se acalma...”

Verdade, verdadinha…

A muitos, os grandes espaços, as vistas a perder de vista, a floresta, o ruído do vento nas árvores e penedias, o conforto ou segurança cada vez mais longe…, o desconhecido, o silêncio, a incerteza no caminho, o exercício da orientação… a descoberta, só inquieta, a outros … delicia…

E à Serra da Cabreira se voltou para uma caminhada de 12 km entre os 600 m e os 1000 metros de altitude com um percurso com partida e chegada à aldeia de Agra e que incluiu o PR1VRM – Trilho da Costa dos Castanheiros (duração total: 4 horas). Cada caminhada na serra da Cabreira (e já são algumas nestes últimos anos sem nenhuma repetir os mesmos trilhos ou vistas) continua a ser uma surpreendente surpresa como foi esta, percorrendo áreas da serra próximas de Agra, Ribeira da Lage e o Ribeiro Escuro, onde se desenvolve densa floresta de carvalhos, castanheiros e pinheiros e outras espécies, tudo polvilhado de musgos e líquenes que tudo pintam de tons de verde e por onde andam várias espécies de animais como os javalis (vimos pegadas), lobos, esquilos e corços (que estão a ser lançados na natureza para servir também de alimento aos lobos de modo a que estes ataquem menos os rebanhos).

Foi de facto uma prazenteira caminhada na natureza (obrigado amigos, obrigado S. Pedro pelo tempo!), tendo valido a pena também a partida e chegada na aldeia de Agra, aldeia bem estimada de montanha e na qual se realizou o tradicional e alegre repasto à volta da mesa. 
E como desta vida o que se leva é a vida que se leva… viva a vida!
E mais uma vez para partilha e memória futura, o registo neste blog!
Bom Ano!


terça-feira, 18 de fevereiro de 2025

terça-feira, 31 de dezembro de 2024

segunda-feira, 16 de dezembro de 2024

Boas Solas, caminhada de Natal, Guimarães, 15 anos de encantamentos...

 


15 anos de caminhadas 2009 – 2024… uma vida.

Não podia ter acabado melhor este 15º ano de caminhadas por serras, vales, aldeias, de vivências, de descobertas, de encantamentos!
Nestes 15 anos, praticamente conseguimos “tocar” todas as serras do Norte e Centro de Portugal, percorrendo muitas aldeias e cumeadas, muitos caminhos ancestrais e a pé posto, por vezes  “corta mato”…, passando por rios, ribeiros e ribeiras, paisagens e recantos de encantar… 
As animadas paragens para merenda a meio do dia no meio da natureza, no topo de uma serra ou numa aldeia… as esforçadas caminhadas de muitos km e horas, com sol ou chuva, vento ou sem vento, calor ou frio, no Outono, Inverno e Primavera, os grande desníveis, as conversas com os pastores e habitantes locais, o desafio da orientação, o "baichubere, baitu", os muitos "Bons Anos!", os encontros gastronómicos de eleição, as tertúlias nas pernoitas… que momentos, muitos, muitos, mas sempre, sempre, poucos … Viva a vida…
E não posso esquecer a magia dos caminhos de Santiago que fica para sempre nos nossos corações, o Francês (2009), o Português (2012), Santiago a Finisterra (2014), o Inglês (2015), que encantamento…

Após 15 anos cumpridos, o juízo ainda não chegou e as pernas lá continuam... (1), mas o perfil dos desafios já se começou a moldar com o passar do tempo… caminha-se menos mas contempla-se mais, aprecia-se mais como um bom vinho... e como já se descobriu que a vida não é eterna, festeja-se muito mais! Viva a vida!


E para fechar este ciclo de 15 anos e respeitando a tradição dos últimos anos em que a última caminhada do ano em Dezembro deveria incluir uma cidade para se respirar o ar de Natal, escolheu-se esta ano e pela segunda vez a belíssima cidade de Guimarães!
E como sempre que é possível, optou-se por um meio de transporte mais ecológico, o comboio. Saídos da estação, confrontamo-nos com a Montanha da Penha à nossa frente e com umas sábias palavras do "guia espiritual" destas andanças: agora é só descer por ali abaixo até ao cimo..
Com 617 metros de altitude esta montanha marca a paisagem de Guimarães e nela se pode encontrar uma floresta antiga, enormes penedos, ermidas, caminhos, grutas, passagens estreitas e recantos, e vistas fantásticas da cidade e redondezas, a oeste e nos dias limpos, o mar entre o recorte dos montes, e para norte, as Serras da Arga, Cabreira e Gerês.
Para alcançar tal prémio foi preciso 1 hora e 30 minutos para percorrer os 3,5 km pela serra acima (400 metros de desnível desde a Estação), que não sendo difícil também não foi fácil mas que mereceu todo o esforço, não só pela Penha e seus atributos mas também porque foi aí que tivemos um dos melhores momentos de convívio gastronómico dos últimos tempos, em concreto no restaurante “Tas’co Pio”, estabelecimento típico mesmo debaixo da estátua do Papa Pio IX, situado no topo da montanha.  Cabrito, vitela e bacalhau de eleição, antecipados de umas boas entradas, tudo acompanhado dum belo tintão minhoto em caneca (que se esvaziava com muita facilidade...), e muita brincadeira e alegria, foram os ingredientes para duas horas de um animado convívio (como de costume…), recortado frequentemente e ao mínimo pretexto, com os famosos brindes “Bom Ano” dos Boas Solas!
Obrigado Sara e Francisca pela receção, atendimento, por tudo, foi excecional. A recomendar e a repetir!
Alma cheia, hora de pôr-do-sol na Penha, a noite anunciava-se, as árvores e penedos ficaram ainda mais misteriosos, a cidade lá em baixo já com milhares de luzes cintilantes, era hora de ver os enfeites de Natal! Descer o que se tinha subido… mas o teleférico estava ali e a fechar… e num impulso resolvemos voar…. Que prenda, que visão descendo o monte para a cidade. Os deuses estavam connosco…
Percorrido o lindíssimo casco histórico de Guimarães, seu mercado de Natal e as iluminações, era hora do regresso, de comboio, claro!
Alegria até na despedida, 14 caminheiros, dia grande, alma cheia…
Viva a vida, Viva o Natal, há que festejar, Bom Ano!

(1) dito de Pitões das Júnias: enquanto há pernas não há cabeça, quando vem a cabeça já não há pernas.


Feliz Natal!
Bom Ano!