quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

Caminhada dos Boas Solas, 17 de janeiro, Rota da Cárcoda, S. Pedro do Sul

Sísifo

Recomeça....

Se puderes
Sem angústia
E sem pressa.
E os passos que deres,
Nesse caminho duro
Do futuro
Dá-os em liberdade.
Enquanto não alcances
Não descanses.
De nenhum fruto queiras só metade.

E, nunca saciado,
Vai colhendo ilusões sucessivas no pomar.
Sempre a sonhar e vendo
O logro da aventura.
És homem, não te esqueças!
Só é tua a loucura
Onde, com lucidez, te reconheças...

Miguel Torga, Diário XII


Recomeçar...

Janeiro, mais um ano que começa, mais esperança, mais vontades, mais promessas…

E neste cabaz de “coisas” que carrego para o Ano Novo que agora se inicia, as caminhadas dos Boas Solas são seguramente uma parte! E como nunca é cedo para começar e se ganhar andamento seguro e decisivo para tal demanda (haja saúde…), a primeira caminhada (e fim de semana!) dos Boas Solas logo em Janeiro se realizou!

S. Pedro do Sul foi a terra eleita com as suas montanhas mágicas e Rio Vouga, tendo sido escolhido o trilho pedestre PR3 SPS Rota da Cárcoda com cerca de 11 km, que demorou a fazer umas 4 horas com início e fim na aldeia de Carvalhais, aldeia que se situa a norte de S. Pedro do Sul já na encosta da Serra da Arada. Tempo frio coberto de nuvens com alguns períodos de chuva fraca até meio do caminho como se o S. Pedro quisesse dar sinal da sua presença e ajudar a refrescar os caminhantes na subida que foi toda esta metade do percurso por arruamentos, caminhos rurais e de monte. Caminhada sem registo de reclamações sobre o tempo e a dificuldade (apesar da idade já não ser a mesma…), não tendo sido questionado quer o organizador e guia, quer o Divino…, até porque depois do “sacrifício” a merenda se realizou na belíssima zona dos moinhos de água do Pisão, sem chuva e com alguns raios envergonhados de sol, e a descida até Carvalhais, já se fez com céu mais claro e grande visibilidade de paisagem, com passagem pela aldeia Natal de Pisão.

Cumprida a promessa de caminhada, o regresso foi para a belíssima zona das Termas de S. Pedro do Sul, alojamento no Hotel Vouga, hotel de 4 estrelas que a todos os títulos se recomenda pelo atendimento, qualidade das instalações, localização, ambiente, sossego e pelo seu restaurante também, no qual este grupo de indomáveis caminheiros e amigos de algumas décadas, jantaram e confraternizaram com muitos brindes à mistura...“Bom Ano!”.

A manhã seguinte acordou fria e com nevoeiro mas nada que impedisse um passeio matinal a pé pelo casco urbano das Termas junto do Rio Vouga, e em seguida uma viagem até ao Castro da Cárcoda na encosta da Serra da Arada a norte de Carvalhais, povoação fortificada da época do bronze / época romana e que terá sido habitada até ao séc. III.

https://carvalhais4.webnode.pt/products/castro-da-carcoda/

Alma cheia, amizade reforçada, fim de semana de desporto, natureza, brincadeiras, gastronomia e alegrias (tristezas está o mundo cheio…), mais momentos para recordar!

E como tem sido hábito desde 2009…mais umas linhas e fotos registo neste blog para mais tarde recordar! 

Bom Ano!

Hotel Vouga
Bom Ano!
passeio noturno para facilitar a digestão...
passeio matinal pelo casco urbano
Castro de Cárcoda

Bom Ano!

domingo, 19 de outubro de 2025

Viva o Outono...


A primavera correu... algumas viagens se fizeram, terra do gelo e do fogo muito a norte...
O Verão, o paraíso do costume, secret spot...
Nos Algarves se passou também... e terras da deliciosa Espanha também...
Veio o Outono e com ele as castanhas e as caminhadas também dos Boas Solas...
Desde 2009...em fevereiro próximo, 17 anos... uma vida.
Bom Ano!






 

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2025

Caminhada de Agra à Rota da Encosta dos Castanheiros, Serra da Cabreira, Boas Solas, 15 Fev 2025


Serra!

E qualquer coisa dentro de mim se acalma...
Qualquer coisa profunda e colorida,
Traída,
Feita de terra
E alma

Uma paz de falcão na sua altura
A medir fronteiras
- Sob a garra dos pés a fraga dura,
E o bico a picar estrelas verdadeiras...

Miguel Torga
Diário II (20 de Agosto de 1942)


“Serra! E qualquer coisa dentro de mim se acalma...”

Verdade, verdadinha…

A muitos, os grandes espaços, as vistas a perder de vista, a floresta, o ruído do vento nas árvores e penedias, o conforto ou segurança cada vez mais longe…, o desconhecido, o silêncio, a incerteza no caminho, o exercício da orientação… a descoberta, só inquieta, a outros … delicia…

E à Serra da Cabreira se voltou para uma caminhada de 12 km entre os 600 m e os 1000 metros de altitude com um percurso com partida e chegada à aldeia de Agra e que incluiu o PR1VRM – Trilho da Costa dos Castanheiros (duração total: 4 horas). Cada caminhada na serra da Cabreira (e já são algumas nestes últimos anos sem nenhuma repetir os mesmos trilhos ou vistas) continua a ser uma surpreendente surpresa como foi esta, percorrendo áreas da serra próximas de Agra, Ribeira da Lage e o Ribeiro Escuro, onde se desenvolve densa floresta de carvalhos, castanheiros e pinheiros e outras espécies, tudo polvilhado de musgos e líquenes que tudo pintam de tons de verde e por onde andam várias espécies de animais como os javalis (vimos pegadas), lobos, esquilos e corços (que estão a ser lançados na natureza para servir também de alimento aos lobos de modo a que estes ataquem menos os rebanhos).

Foi de facto uma prazenteira caminhada na natureza (obrigado amigos, obrigado S. Pedro pelo tempo!), tendo valido a pena também a partida e chegada na aldeia de Agra, aldeia bem estimada de montanha e na qual se realizou o tradicional e alegre repasto à volta da mesa. 
E como desta vida o que se leva é a vida que se leva… viva a vida!
E mais uma vez para partilha e memória futura, o registo neste blog!
Bom Ano!