segunda-feira, 30 de março de 2026

Caminhada dos Boas Solas, Trilho Interpretativo da Veronica Micrantha, Vila Pouca de Aguiar, 20 e 21 de Março!

Primavera 

Abre-te, Primavera!
Tenho um poema à espera
Do teu sorriso.
Um poema indeciso
Entre a coragem e a covardia.
Um poema de lírica alegria
Refreada,
A temer ser tardia
E ser antecipada.
Dantes, nascias
Quando eu te anunciava.
Cantava,
E no meu canto acontecias
Como o tempo depois te confirmava.
Cada verso era a flor que prometias
No futuro sonhado…
Agora, a lei é outra: principias,
E só então eu canto confiado.

Miguel Torga

Mais uma caminhada dos Boas Solas (13 companheiros desta vez) na entrada da Primavera que não se fez rogada e apareceu com todo o seu esplendor! O Trilho Interpretativo da Veronica Micrantha com início e fim em Soutelo de Aguiar (Vila Pouca de Aguiar) foi o percurso escolhido para tão ansioso momento, trilho muito belo entre florestas de castanheiros e carvalhos centenários (que espanto!), num sobe e desce também entre pequenos vales verdejantes e floridos que nos levou ao castelo de Aguiar da Pena situado na aldeia de Telões, castelo roqueiro dos séculos IX/X, classificado como Monumento Nacional desde 1982. Este castelo, situado sobre uma penedos graníticos que parece ter sido lá postos pelos gigantes de outros tempos... oferece vistas fantásticas sobre o Vale de Aguiar que se encontra entre a Serra da Paradela, a nascente e a Serra do Alvão, a poente, em cujo início da encosta este castelo e Telões se situa.

Uma paisagem magnífica, uns recantos mágicos de floresta, um tempo primaveril, um trilho de 12 km que demorou quatro horas e meia a fazer, de forma demorada, dando tempo para se contemplar, falar com a natureza… para merendar e para conviver! Viva a vida!

Dia grande, alma cheia, e o fim de semana mal tinha começado…

Estadia em Vila Pouca de Aguiar no Hotel Aguiar da Pena (que se recomenda), passeio de fim de tarde pelo centro da cidade, jantar no Restaurante MA.LE – SteakHouse (local de encontro da juventude e que se recomenda), regresso, boa conversa e descanso.

O Domingo acordou, o sol e a temperatura amena também, a Primavera pelos vistos tinha vindo para ficar. Fomos visitar o Centro Interpretativo das Minas de Jales  (https://www.jf-vreiajales.pt/ , visita obrigatória (obrigado Carmen pela visita guiada!)  e daqui, por entre aldeias e estradas rurais e paisagem magnífica chegamos à bela aldeia de Tresminas onde o almoço no Restaurante Casa Chico Restaurante Regional nos aguardava. Aldeia bem cuidada, restaurante junto a uma ribeira, um bom almoço (recomenda-se, atenção só por reserva!), melhor conversa e brincadeira como sempre. Afinal são os Boas Solas e os brindes “Bom Ano” fazem parte da sua natureza…

Findo o repasto, visitamos o Centro Interpretativo do Complexo Mineiro de Tresminas (https://tresminas.com/) e já no regresso, a poucos quilómetros da aldeia e já a caminho de Vila Pouca de Aguiar, fizemos uma curta paragem e caminhada até à Corta da Ribeirinha, um dos três grandes “buracos” escavados pelos romanos à força de braços, para tirar o ouro das entranhas destas montanhas. Regresso prometido para visitar um dia todo o complexo e descer às minas…

E assim foi mais uma jornada dos Boas Solas que aqui registo para memória futura. Desde 2009… 17 anos… muitas caminhadas, muitos recantos descobertos deste profundo e maravilhoso Portugal… Bom Ano, viva a amizade, viva a Vida!


Bom Ano!


quinta-feira, 5 de março de 2026

Mais uma caminhada dos Boas Solas, Moinhos de S. Lourenço, Chaves, 21 e 22 de Fevereiro

 


"COM UM SORRISO NO FIM"

"Anos e anos a insistir, a compreender que:

- Ainda não encontrei, ainda não encontrei.

Todos eram melhores que eu e no entanto, a certeza que seria melhor que eles um dia.

De onde me vinha essa certeza?

Sentia a força, ignorava como manejá-la.

Levei séculos.

Agora que consegui a questão é:

- Não chega, tens obrigação de ir mais longe.

De modo que me sinto de novo no princípio.

Tens obrigação de ir mais longe.

E nem que deixe a pele, é um eufemismo:

Deixo-a mesmo.

E sem pele continuo.

Se perder os pés, continuo com os cotos, se não houver cotos continuo com as unhas, se não houver unhas continuo com os dentes.

Não pretendo ensinar nada, mostrar nada, ajudar nada:

Apenas me preocupa atingir o coração do coração e iluminar tudo.

Até cegar de tanto ver.

E uma vez cego, paro e deito-me.

Acabou-se a Viagem. "

ANTÓNIO LOBO ANTUNES, REVISTA VISÃO, Crónica "Com um sorriso no fim "

Por coincidência é neste dia da morte de António Lobo Antunes que tenho a energia e o tempo para começar a escrever o “post” sobre mais uma caminhada dos Boas Solas que aconteceu no passado fim de semana de 21 e 22 de fevereiro.  Entre muitos textos e referências sobre este nosso gigante da literatura que aparecem hoje na internet a pretexto deste triste acontecimento, um deles me chamou a atenção, a sua crónica “Com um Sorriso até ao fim” que aqui acima transcrevo e que merece reflexão... Viva a vida… 

Chaves foi a cidade eleita para a dormida e passeio de fim de semana, desta vez com 14 companheiros Boas Solas, e São Lourenço, a aldeia na Serra do Brunheiro, sobranceira à primeira, o ponto de partida e chegada da Rota “Trilho dos Moinhos de São Lourenço”, que com cerca de 11 km nos deliciou com vistas imensas sobre o vale do Tâmega, recantos mágicos das margens da Ribeira do Pinheiro com os seus moinhos e passagem pela aldeia de Cela.

Em Cela, já depois de termos passado pelos passadiços e moinhos (fizemos o percurso no sentido anti-horário), tivemos uns momentos de boa conversa com o Sr. João, pessoa reformada, conversadora, vida longa e diversificada, e articulista também da publicação “A Barrosana” que nos contou coisas da terra (estes momentos valem ouro). Como o tempo corre depressa, com pena de ambas as partes tivemos que por fim à conversa e continuar a nossa jornada, parando logo de seguida junto à capela da aldeia para a necessária merenda. Daqui, seguimos para São Lourenço descendo e subindo o vale que separa as duas aldeias, onde nos recolhemos na "Casa do Presunto" à face da Estrada Nacional, tendo sido muito bem recebidos pelo Sr. François e onde demos o devido "tratamento" a umas boas fatias de presunto e queijo, azeitonas e cebola, tudo devidamente acompanhado dum bom vinho local, boa conversa, muitos brindes “Bom Ano…” e também onde compramos alguns produtos regionais (recomenda-se a visita!)

Depois desta caminhada e convívio… amizade reforçada, alma cheia, fim de semana já ganho… a viagem para Chaves se impôs, cidade que tínhamos atravessado de manhã debaixo de nevoeiro e que a meio da manhã se abriu ao sol, transformando o frio de inverno no ameno da Primavera que se intensificou ao longo do dia e para Domingo com temperaturas que chegaram aos 19 ºC

Cidade muito bela com as margens do Tâmega, casco urbano antigo, a sua ponte romana, as suas termas, as suas esplanadas, as suas vistas, cidade cuidada, com vida, com lojas de rua de marcas de referência. Cidade que se visita, se gosta e se quer voltar… Nesta nossa estadia refiro o Castelo Hotel (excelente), as Termas de Chaves (que alguns visitaram), o Restaurante Carvalho que nos deliciou com o serviço e gastronomia, o Centro de Artes Nadir Afonso, a Confeitaria Maria com o seu folar e pasteis de Chaves, o Zero Kilómetros, local mítico junto à rotunda onde se inicia a EN2, onde uma boa cerveja (ou duas…) se "aviaram"… 

Mais uma caminhada e fim de semana a somar aos 17 anos de caminhadas iniciados em Fevereiro de 2009, muitos convívios, muitas brincadeiras, muitas memórias partilhadas. Viva a vida, Bom Ano!

E como diz António Lobo Antunes… Agora que consegui a questão é: - Não chega, tens obrigação de ir mais longe.

E eu digo, é preciso continuar… haja saúde, Bom Ano!

casco de veleiro clássico a 800 metros de altitude?
São Lourenço à vista
Casa do Presunto
Restaurante Carvalho
Os famosos pasteis e folar de Chaves!
Centro de Artes Nadir Afonso

Em memória de minha mãe que durante muitos anos seguidos fez tratamento nas Termas de Chaves quase até falecer (2020), e que ontem, dia 4, se estivesse viva, faria 98 anos.