quinta-feira, 5 de março de 2026

Mais uma caminhada dos Boas Solas, Moinhos de S. Lourenço, Chaves, 21 e 22 de Fevereiro

 


"COM UM SORRISO NO FIM"

"Anos e anos a insistir, a compreender que:

- Ainda não encontrei, ainda não encontrei.

Todos eram melhores que eu e no entanto, a certeza que seria melhor que eles um dia.

De onde me vinha essa certeza?

Sentia a força, ignorava como manejá-la.

Levei séculos.

Agora que consegui a questão é:

- Não chega, tens obrigação de ir mais longe.

De modo que me sinto de novo no princípio.

Tens obrigação de ir mais longe.

E nem que deixe a pele, é um eufemismo:

Deixo-a mesmo.

E sem pele continuo.

Se perder os pés, continuo com os cotos, se não houver cotos continuo com as unhas, se não houver unhas continuo com os dentes.

Não pretendo ensinar nada, mostrar nada, ajudar nada:

Apenas me preocupa atingir o coração do coração e iluminar tudo.

Até cegar de tanto ver.

E uma vez cego, paro e deito-me.

Acabou-se a Viagem. "

ANTÓNIO LOBO ANTUNES, REVISTA VISÃO, Crónica "Com um sorriso no fim "

Por coincidência é neste dia da morte de António Lobo Antunes que tenho a energia e o tempo para começar a escrever o “post” sobre mais uma caminhada dos Boas Solas que aconteceu no passado fim de semana de 21 e 22 de fevereiro.  Entre muitos textos e referências sobre este nosso gigante da literatura que aparecem hoje na internet a pretexto deste triste acontecimento, um deles me chamou a atenção, a sua crónica “Com um Sorriso até ao fim” que aqui acima transcrevo e que merece reflexão... Viva a vida… 

Chaves foi a cidade eleita para a dormida e passeio de fim de semana, desta vez com 14 companheiros Boas Solas, e São Lourenço, a aldeia na Serra do Brunheiro, sobranceira à primeira, o ponto de partida e chegada da Rota “Trilho dos Moinhos de São Lourenço”, que com cerca de 11 km nos deliciou com vistas imensas sobre o vale do Tâmega, recantos mágicos das margens da Ribeira do Pinheiro com os seus moinhos e passagem pela aldeia de Cela.

Em Cela, já depois de termos passado pelos passadiços e moinhos (fizemos o percurso no sentido anti-horário), tivemos uns momentos de boa conversa com o Sr. João, pessoa reformada, conversadora, vida longa e diversificada, e articulista também da publicação “A Barrosana” que nos contou coisas da terra (estes momentos valem ouro). Como o tempo corre depressa, com pena de ambas as partes tivemos que por fim à conversa e continuar a nossa jornada, parando logo de seguida junto à capela da aldeia para a necessária merenda. Daqui, seguimos para São Lourenço descendo e subindo o vale que separa as duas aldeias, onde nos recolhemos na "Casa do Presunto" à face da Estrada Nacional, tendo sido muito bem recebidos pelo Sr. François e onde demos o devido "tratamento" a umas boas fatias de presunto e queijo, azeitonas e cebola, tudo devidamente acompanhado dum bom vinho local, boa conversa, muitos brindes “Bom Ano…” e também onde compramos alguns produtos regionais (recomenda-se a visita!)

Depois desta caminhada e convívio… amizade reforçada, alma cheia, fim de semana já ganho… a viagem para Chaves se impôs, cidade que tínhamos atravessado de manhã debaixo de nevoeiro e que a meio da manhã se abriu ao sol, transformando o frio de inverno no ameno da Primavera que se intensificou ao longo do dia e para Domingo com temperaturas que chegaram aos 19 ºC

Cidade muito bela com as margens do Tâmega, casco urbano antigo, a sua ponte romana, as suas termas, as suas esplanadas, as suas vistas, cidade cuidada, com vida, com lojas de rua de marcas de referência. Cidade que se visita, se gosta e se quer voltar… Nesta nossa estadia refiro o Castelo Hotel (excelente), as Termas de Chaves (que alguns visitaram), o Restaurante Carvalho que nos deliciou com o serviço e gastronomia, o Centro de Artes Nadir Afonso, a Confeitaria Maria com o seu folar e pasteis de Chaves, o Zero Kilómetros, local mítico junto à rotunda onde se inicia a EN2, onde uma boa cerveja (ou duas…) se "aviaram"… 

Mais uma caminhada e fim de semana a somar aos 17 anos de caminhadas iniciados em Fevereiro de 2009, muitos convívios, muitas brincadeiras, muitas memórias partilhadas. Viva a vida, Bom Ano!

E como diz António Lobo Antunes… Agora que consegui a questão é: - Não chega, tens obrigação de ir mais longe.

E eu digo, é preciso continuar… haja saúde, Bom Ano!

casco de veleiro clássico a 800 metros de altitude?
São Lourenço à vista
Casa do Presunto
Restaurante Carvalho
Os famosos pasteis e folar de Chaves!
Centro de Artes Nadir Afonso

Em memória de minha mãe que durante muitos anos seguidos fez tratamento nas Termas de Chaves quase até falecer (2020), e que ontem, dia 4, se estivesse viva, faria 98 anos.

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